Demorou, mas eu voltei. Após um ano sabático (na verdade, um ano banhado em preguiça), decidi retomar as atividades do Pequena Área. Não sei exatamente os motivos, simplesmente quis escrever sobre futebol. Poderia começar com poesia; poderia. Não vou. Farei um texto simples, acerca de um novo-velho conhecido dos corinthianos: o técnico multi-campeão, Adenor Leonardo Bacchi, o Tite.
Não é novidade para nenhum torcedor que o técnico Tite utilizou seu ano sabático (2014) para aprimorar seus conhecimentos futebolísticos. O campeão mundial de 2012 conheceu alguns professores consagrados, como Ancelotti e Guardiola. Em primeiro plano, é bom destacarmos a humildade de Tite em observar que estava desatualizado taticamente. Parece desnecessário apontarmos isso, mas parte do 7 a 1 na Copa passada veio por falta de humildade da comissão técnica da nossa seleção, que apoiou-se em conquistas passadas para sustentar um falso favoritismo. O que faltou à Scolari e Parreira, sobrou para Tite. O novo Corinthians tem a mesma intensidade do time campeão entre 2011 e 2013. A defesa segue consistente e Tite conseguiu melhorar a compactação do meio-campo para atrás, com Jadson e Emerson Sheik, como foi contra o São Paulo pela fase de grupos da Libertadores ou com Petros e Mendonza, como foi contra o Palmeiras, pelo Campeonato Paulista, dedicando-se ao máximo para compor na marcação.
O esquema 4-1-4-1, que varia para o 4-2-3-1 ou até para o tradicional 4-4-2, tem se mostrado bastante eficiente graças ao intenso trabalho nos treinamentos (fato esse confirmado por jogadores, pelo próprio Tite e pela imprensa que acompanha o dia-a-dia no CT Joaquim Grava). Ralf, que fez uma temporada abaixo da média em 2014, voltou a ser o homem à frente da linha de defensores e tem recuperado o bom futebol. Jadson, tornou-se um bom marcador, cumprindo seu papel quando a equipe do Corinthians está sem a bola. Fagner, contestando pelas dificuldades na marcação, também mostrou evolução. Além disso, jogadores como Petros, Cristian e Mendonza fizeram boas atuações com a camisa alvinegra quando tiveram oportunidades. Bruno Henrique, que fez ótimas apresentações no ano passado, vinha bem até sofrer uma lesão no cotovelo, durante o clássico contra o Palmeiras.
Distribuição tática do Corinthians (4-1-4-1) no confronto contra o San Lorenzo, pela Libertadores 2015 / Fonte: A Prancheta Tática
O Corinthians hoje, sabe ocupar todos os espaços do campo. A marcação em zona, em um espaço pequeno, é outra virtude que têm infernizado a vida dos adversários. Apenas o San Lorenzo, pela Libertadores, conseguiu controlar o ímpeto da equipe paulista e mesmo assim os argentinos saíram derrotados.
Distribuição tática do Corinthians (4-2-3-1), em azul, no confronto contra o São Paulo pela Libertadores 2015 / Fonte: Soccerway
Para 2015, Tite trouxe ao Corinthians um espírito mais vitorioso. Diferente de sua última passagem, o técnico, em situações normais (leia-se 11 contra 11), não permite mais que sua equipe se acomode no resultado. Por mais que os famosos "1 a 0" persigam o Corinthians, a equipe mantém a intensidade e com toques de bola precisos e rápidos, chega ao gol adversário.
A invencibilidade em jogos oficiais nessa temporada é o reflexo de um Tite estudado e de um elenco capacitado e bem treinado. O torcedor volta a sorrir depois de um ano difícil, que trouxe apenas a vaga para a pré-Libertadores como bom fruto. A confiança no Parque São Jorge é grande, pois sabe-se que no banco de reservas está um grande maestro.


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