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| Equipe do Defensor campeã uruguaia em 1976. |
Mesmo assim os militares estavam crentes de que a ditadura ainda era mais forte do que a união popular e decidiram que os dois últimos meses de 1980 consolidariam aquele governo do terror. E o futebol seria uma arma para festejar os "louros" de uma "Nova República". Ficou decidido que em 30 de novembro seria realizado um plebiscito onde o povo votaria "sim" ou "não" pela legitimação do regime militar através de uma reforma na Constituição do país. Aparentemente uma atitude democrática, mas velada por uma arrogância surreal dos generais, que acreditaram que o medo provocado pela repressão prevaleceria nas cabeças dos uruguaios. Simultaneamente foi anunciado que o Uruguai seria o país sede de um evento que reuniria todos os países até então campeões mundiais de futebol (Itália, Uruguai, Alemanha Ocidental, Inglaterra - que posteriormente se recusou a participar do campeonato, sendo substituída pela vice-campeã de 74 e 78, Holanda, além de Brasil e Argentina). A FIFA apoiava e organizaria o torneio dos campeões que contaria com craques como Sócrates, Falcão, Hugo De Léon, Diego Maradona, Daniel Passarela, Mario Alberto Kempes, Franco Baresi, Marco Tardelli.
Era o plano perfeito: a vitória nas urnas era dada como certa e a vitória da seleção uruguaia selaria o começo de uma "Nova República" (assim ficaria conhecido o regime ditatorial caso o resultado no pleito fosse favorável aos militares). As reuniões para a organização do plebiscito e do campeonato ocorriam simultaneamente, segundo historiadores ouvidos no documentário da ESPN Brasil "MEMÓRIAS DO CHUMBO - O FUTEBOL NOS TEMPOS DO CONDOR (URUGUAI)". Decidiram que o Mundialito se iniciaria em 30 de dezembro de 1980 com a final marcada para 10 de janeiro do ano seguinte. As seleções foram divididas em dois grupos (Grupo A com Uruguai, Holanda e Itália, Grupo B com Brasil, Argentina e Alemanha) e os dois melhores decidiriam o título no Estádio Centenário, em Montevidéu.
A primeira derrota dos generais veio de forma impactante e surpreendente, para eles, é claro. No plebiscito o NÃO venceu com 57% dos votos. O golpe não seria legitimado pela constituição. Ali o povo uruguaio se mostrou resistente às barbáries promovidas pelo Estado e a festa programa para as Forças Armadas no Mundialito seria marcada por uma resistência tão importante quanto a exibida nas urnas. O Uruguai, mesmo com um time limitado, era franco favorito ao título e empurrado pela grande massa popular, confirmou a vaga para a decisão ao vencer seus dois jogos e decidiria o campeonato contra o Brasil, que contava com jogadores da mágica seleção da Copa do Mundo de 1982.
Em 10 de janeiro de 1981, o que era apenas mais uma partida no Estádio Centenário de Montevidéu tornou-se uma grande mobilização popular. O jogo se encaminhava para o fim quando uma banda militar começa a tocar o hino nacional à beira do gramado. O público vaia e a música pára. Final de partida, vitória uruguaia por 2 x 1. Os militares tentam tocar o hino novamente e dessa vez o público, em êxtase pelo primeiro título da Celeste desde a Copa América de 1967, invade o gramado e obriga os instrumentistas a deixarem o campo. Para demonstrar ainda mais a coragem de um povo que há tempos sofria com a repressão, as vozes no estádio unem-se para um grito unânime: "SE VA ACABAR, SE VA ACABAR LA DICTADURA MILITAR!". Era o segundo golpe popular contra a tirania militar. Ali o futebol se mostrava à disposição da resistência. A união das massas coube/cabe no esporte. A coletividade, além da popularidade do futebol, foram importantíssimas para que os uruguaios soltassem, corajosamente, os primeiros gritos contra aquele regime cruel.
Três anos, muitas torturas, mortes e clamor popular depois, o Uruguai deu início ao processo de redemocratização que seria concretizado apenas em 1985. Nenhum dos mortos ao longo daquele período foi ou será esquecido. Nenhuma daquelas noites infinitas de tortura foi ou será esquecida. Nada apagará a frieza daqueles homens tiranos, ensandecidos por poder. Mas acima de tudo, a noite de 10 de janeiro de 1981 no Estádio Centenário trará um calor confortante aos corações dos uruguaios. Viva a liberdade, viva o Uruguai, viva o futebol!
REFERÊNCIAS:
- "MEMÓRIAS DO CHUMBO - O FUTEBOL NOS TEMPOS DO CONDOR (URUGUAI)", ESPN BRASIL.
- "POLÍTICA FC: DEFENSOR E A RESISTÊNCIA À DITADURA NO URUGUAI", site POLÍTICA FUTEBOL CLUBE.
- "[POR TRÁS DO GOL] "SE VA ACABAR, SE ACABAR LA DICTADURA MILITAR", site DIALÉTICA TERRESTRE.
- "EL MUNDIALITO QUE SONROJÓ A LA DICTADURA MILITAR URUGUAYA", site MARCA.
Era o plano perfeito: a vitória nas urnas era dada como certa e a vitória da seleção uruguaia selaria o começo de uma "Nova República" (assim ficaria conhecido o regime ditatorial caso o resultado no pleito fosse favorável aos militares). As reuniões para a organização do plebiscito e do campeonato ocorriam simultaneamente, segundo historiadores ouvidos no documentário da ESPN Brasil "MEMÓRIAS DO CHUMBO - O FUTEBOL NOS TEMPOS DO CONDOR (URUGUAI)". Decidiram que o Mundialito se iniciaria em 30 de dezembro de 1980 com a final marcada para 10 de janeiro do ano seguinte. As seleções foram divididas em dois grupos (Grupo A com Uruguai, Holanda e Itália, Grupo B com Brasil, Argentina e Alemanha) e os dois melhores decidiriam o título no Estádio Centenário, em Montevidéu.
A primeira derrota dos generais veio de forma impactante e surpreendente, para eles, é claro. No plebiscito o NÃO venceu com 57% dos votos. O golpe não seria legitimado pela constituição. Ali o povo uruguaio se mostrou resistente às barbáries promovidas pelo Estado e a festa programa para as Forças Armadas no Mundialito seria marcada por uma resistência tão importante quanto a exibida nas urnas. O Uruguai, mesmo com um time limitado, era franco favorito ao título e empurrado pela grande massa popular, confirmou a vaga para a decisão ao vencer seus dois jogos e decidiria o campeonato contra o Brasil, que contava com jogadores da mágica seleção da Copa do Mundo de 1982.
Em 10 de janeiro de 1981, o que era apenas mais uma partida no Estádio Centenário de Montevidéu tornou-se uma grande mobilização popular. O jogo se encaminhava para o fim quando uma banda militar começa a tocar o hino nacional à beira do gramado. O público vaia e a música pára. Final de partida, vitória uruguaia por 2 x 1. Os militares tentam tocar o hino novamente e dessa vez o público, em êxtase pelo primeiro título da Celeste desde a Copa América de 1967, invade o gramado e obriga os instrumentistas a deixarem o campo. Para demonstrar ainda mais a coragem de um povo que há tempos sofria com a repressão, as vozes no estádio unem-se para um grito unânime: "SE VA ACABAR, SE VA ACABAR LA DICTADURA MILITAR!". Era o segundo golpe popular contra a tirania militar. Ali o futebol se mostrava à disposição da resistência. A união das massas coube/cabe no esporte. A coletividade, além da popularidade do futebol, foram importantíssimas para que os uruguaios soltassem, corajosamente, os primeiros gritos contra aquele regime cruel.
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| Seleção do Uruguai, campeã do Mundialito de Futebol de 1980 |
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| No Uruguai, alguns dos passos para a redemocratização do país foram dados no gramado do Estádio Centenário, em Montevidéu |
REFERÊNCIAS:
- "MEMÓRIAS DO CHUMBO - O FUTEBOL NOS TEMPOS DO CONDOR (URUGUAI)", ESPN BRASIL.
- "POLÍTICA FC: DEFENSOR E A RESISTÊNCIA À DITADURA NO URUGUAI", site POLÍTICA FUTEBOL CLUBE.
- "[POR TRÁS DO GOL] "SE VA ACABAR, SE ACABAR LA DICTADURA MILITAR", site DIALÉTICA TERRESTRE.
- "EL MUNDIALITO QUE SONROJÓ A LA DICTADURA MILITAR URUGUAYA", site MARCA.




